Era pacientissimo.
Podia esperar eternamente.
Quando de repente me tiraram para fora, percebi q estava na hora, e dei meu primeiro berro!Buaaaaaa!!!Nasci meio apavorado, golpeando o ar enlouquecidamente sem saber aonde me apoiar, sentia o ar frio passar pelos meus dedos, a sensação era assustadora. Antes era quente e macio, agora frio e vazio. Estava pronto para sair da escuridão, abrir meus olhos, e começar a desvendar esse novo e misterioso universo, e de relance o fiz.O breu se esvaiu, so conseguia ver branco, um branco lancinante que logo foi se povoando de vultos verdes.Mas o que me chamava mais atenção era aquele ser que me pegava no colo e me olhava perplexamente.No fundo eu já sabia quem era.Agora eu tinha onde me apoiar.
Fui crescendo.
Dizem que os bebes tem todas respostas, já eu tinha todas perguntas.
Corria de pé no chão, diziam q eu era meio bobão, mais eu nem ligava.Continuava a correr de braços abertos, quase voando, sonhando em um dia, planar pelas estrelas que meu pai me mostrava a noite.Noites que rumarão minha vida.Nascia ai minha inclinação para o saber, que hoje e tão forte e violenta que mesmo as censuras de outras pessoas nem minha próprias reflexões tem sido capazes de deter esse impulso natural que “Deus” me dotou.Ganhei sapatos, embora preferi-se meus pés nus por serem quase mágicos.
Vou observando.
Minha mãe uma vez me disse que os sapatos contam a historia de seu dono.
Na raiz da floresta de pernas, chinelos remendados, sapatos lustrados, tênis, all-stars vermelhos, patins, pernas de pau, cadeira de rodas, botas de astronautas e pés.Simples pés.Que a partir do seu primeiro passo, vem esticando um fio de lã que se embaralha cada vez mais ao avançar dos passos através da floresta de canelas.Covardes são aqueles que usam sapatos.Para se conhecer a fundo e preciso sentir, ir tateando se esquivando, esbarrando, chocando entrelaçando...
O novelo de lã é precioso e curto de mais para desperdiçá-lo fazendo um zigue zague sem motivo.Eu farei com que o meu arranjo se assemelhe o maximo possível com a ovelha.Talvez assim eu possa entender porque o tosador me deu esse rolo de lan.
Plínio Salgado
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2 comentários:
por que não escreve mais contos? vc leva jeito.
até mais!
: )
olha, praticamente não entro no msn, mas meu email é cyberdea@gmail.com. é mais facil vc me ver no facebook do que no msn ou orkut. no facebook procure andrea cupertino, ok! : )
até!
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